segunda-feira, 3 de junho de 2013

Planet Hemp Os Cães Ladram mas a Caravana não Para

Legalização da maconha: o discurso já existia faz tempo, principalmente fora do país, mas da maneira que foi e com a qualidade que acompanhou, o Planet Hemp marcou uma geração. Quem já era mais velho se identificou e quem cresceu junto levou a mensagem pra vida e o legado persiste. O tema tomou grandes proporções com o advento das mídias sociais, mas dez anos antes eles já estavam no palco e até na prisão.

“Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára” tinha tudo, a capa, o nome, acompanhado de shows polêmicos – mas era isso que eles queriam, polêmica gera mídia, gera discussão – e principalmente o posicionamento e a imagem que criaram, aconteceu tudo como deveria acontecer e até as injustiças tiveram sua utilidade. Recentemente o juiz Vilmar Pinheiro, que determinou a prisão do grupo em Brasília na época que o disco foi lançado, foi afastado acusado de receber propina de traficantes e atrasar processos, a ironia trouxe mais uma vez a banda pra mídia, tudo isso meses depois de apresentação headliner na versão brasileira do Lollapalooza.

Produção de alto nível, influências tão díspares quanto bossa nova e hardcore, língua afiada e atitude, a fórmula era promissora e o resultado foi a consolidação daquilo que já tinham traçado com o debute “Usuário”. O disco sobrevive musicalmente, independente de a pessoa apoiar ou não a mensagem que ele passa, e isso é a prova que a música pela música sobrevive.

O disco passeia pelo funk e até pelo fusion com muita naturalidade, seja nas linhas de baixo ou na guitarra característica do gênero. São toques de jazz, samples que vão de Led Zeppelin à N.W.A, hip-hop com o rock puxando para um lado diferente do que o Run-D.M.C. ou o Rage Against the Machine faziam, sem pender muito pra nenhum dos dois lados.

O diálogo entre Marcelo D2, BNegão e Black Alien é a espinha dorsal do disco. Enquanto a música está bem cuidada, ainda mais com a participação de Apollo 9 e Zé Gonzales, o trio profere suas ideias sem censura, a mensagem é direta e clara, principalmente em hits como “Queimando Tudo”, carro-chefe do álbum. O que torna o álbum ainda mais rico é que o leque de temas abordados se ampliou muito, como se “Usuário” tivesse aberto uma ferida que aqui é cutucada bem a fundo. Valendo sempre lembrar que nessa segunda metade da década de 90 a bandeira da legalização estava com tudo, era o Planet Hemp, O Rappa, Raimundos e Rita Lee, até o Mamonas Assassinas colocaram a tão temida palavra – pela polícia que cancelava ou censurava os shows do Planet Hemp ao menos – em um dos seus hits, cantados a todo pulmão por crianças no país inteiro.

Um disco que não devia nada na época pra material estrangeiro graças a produção do badalado Mario Caldato Jr, e que soa fresco até os dias de hoje. Essencial tanto para quem levanta a bandeira pela legalização quanto para um mero fã de boa música. Para o bem ou para o mal, “Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára” criou uma verdadeira horda de então-adolescentes, agora adultos, com senso crítico e opinião própria, que mesmo na versão chata da coisa ainda é algo bem-vindo.

Aldo Hanel, assina o texto, mas dizem que quem escreveu foi seu gato.

- Notas: O disco ,foi gravado no final de 1996, mixado nos EUA,e obteve Disco de Platina na época.
- O vocalista Bnegão saiu da banda, sendo substituído por Gustavo Black, mas não deixou de emprestar sua voz para o novo disco, em faixas com "Hip Hop Rio" e "100% Hardcore". Zé Gonzales nas picapes, Apollo 9 nos teclados, completaram a formação básica do álbum.




1. "Zerovinteum"   5:18
2. "Queimando Tudo"   2:55
3. "Hip Hop Rio"   2:34
4. "Bossa"   0:25
5. "100% Hardcore"   2:47
6. "Biruta"   3:35
7. "Mão na Cabeça"   3:25
8. "O Bicho Tá Pegando"   2:54
9. "Adoled (The Ocean)"   3:07
10. "Seus Amigos"   1:43
11. "Paga Pau"   3:20
12. "Rappers Reais"   3:24
13. "Nega do Cabelo Duro"   2:04
14. "Hemp Family"   3:28
15. "Quem Me Cobrou?"   2:04
16. "Se Liga"   6:52
Duração total:
49:55


















































terça-feira, 30 de abril de 2013

"Blow By Blow" Jeff Beck 1975




Nenhum disco instrumental de um guitarrista virtuoso foi tão importante no contexto da cultura pop quanto "Blow By Blow", de Jeff Beck. Apesar de inovar consideravelmente na sonoridade, Blow By Blow não foi um sucesso apenas de crítica, como seria de se supor. Num feito raro para um disco instrumental, o álbum também foi aceito pelo público, alcançando assim a quarta posição dos mais vendidos da Billboard na ocasião e recebendo o certificado de disco de platina pela RIAA (Recording Industry Association of America).
Lançado em 1975, o disco retrata um período de mudanças na carreira do artista, que a partir de então começou a inserir cada vez mais elementos de funk e soul em sua música. O resultado, que pode ser visto nesse primeiro trabalho solo, é um disco híbrido, no qual o rock não passa nem perto de ser a principal influência.

Mérito de Jeff Beck? Sim, claro. Mas não só dele. A equipe que acompanhou o músico em estúdio tem muita importância no resultado final. O produtor do disco foi ninguém menos que George Martin. Ele, inclusive, foi um mentor importante para Beck no período, freando o perfeccionismo exagerado do guitarrista, que tinha a intenção de regravar trechos de solos mesmo quando o disco já tinha sido prensado. E ainda bem que Beck manteve o juízo nas edições posteriores do disco, que não contam essas possíveis mudanças.

Stevie Wonder também auxiliou para que o projeto fosse um sucesso. O compositor cedeu duas músicas para Beck:  a romântica "Cause We've Ended As Lovers" e um tributo a Thelonious Monk, batizado de estranhamente "Thelonius" (sic), na qual Wonder toca clavinete sem ser creditado nos encartes das primeiras tiragens.
Porém, o colaborador menos citado nas resenhas de Blow By Blow geralmente é o tecladista Max Middleton, que já havia integrado o Jeff Beck Group. Ao lado de Beck, ele compôs grande parte do repertório do álbum, inclusive a faixa "Scatterbrain", que se destaca por ser a mais virtuosa e inovadora (mas ainda assim nada cansativa).

Entre as versões, há também "Diamond Dust", de Bernie Holland e "She's A Woman", dos Beatles. A composição de John e Paul, inclusive, ganhou arranjo de talk box. Porém, ao vivo, a reprodução dessa música não satisfazia Beck, que descontente com o resultado obtido, chegou a quebrar uma Stratocaster e o talk box numa apresentação em Cleveland, em maio de 1975. Uma pena que Jeff Beck não tenha quebrado também o pedal de talk box de Ritchie Sambora, antes do guitarrista do Bon Jovi gravar "It's My Life" e "Livin On a Prayer". Muitos instrumentistas ficariam contente em não ter o marcante efeito relacionado a essas duas babas da farofa norte-americana.
                 Depois de "Blow By Blow", Beck lançou os ótimos discos Wired e There and Back, que formam uma trinca de clássicos da carreira solo do guitarrista. Na sequência, o artista lançou discos irregulares e ruins  (como Flash) ou bons, mas com pouco apelo junto ao público (como You Had It Coming e Guitar Shop). O mais marcante, porém, é que desde então quase nenhum disco instrumental de um guitarrista agradou tanto os ouvintes de música pop como "Blow By Blow" (com exceção talvez de "Surfing With The Alien", de Joe Satriani). 

Lançamento: 1975 - Epic/CBS/Sony
Produção: George Martin
Engenheiro De Som: Denin Bridges
Estúdio: AIR Studios, Londres
Faixas: "You Know What I Mean", "She's A Womam", "Constipated Duck", "AIR Blower", "Scatterbrain","Cause We've Ended As Lovers", "Thelonius", "Freeway Jam" e " Diamond Dust".
Formação: Jeff Beck (guitarra), Max Middleton (teclados), Phil Chenn (baixo) e Richard Bailey (bateria e percussão).

Notas:
# "Blow by Blow" foi o primeiro e único disco de platina de Beck.
# O disco alcançou o quarto lugar na parada norte-americana.
# Hoje Beck não abre mão de sua "Fender Stratocaster", mas nessa época a preferida do guitarrista era uma "Gibson Les Paul" preta.
# A pintura da capa foi confeccionada pelo artista John Collier, que usou como base a mesma foto  presente na contra capa do LP.
# Apesar de não creditado, Stevie Wonder toca teclado no disco.

Helder Maldonado e jornalista cultural e nas horas vagas faz cosplay de John Fruisciante da ZL.

Confira aqui.



sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Lust For Life- Iggy Pop (1977)




Freud não explica a pulsão de vida que este disco é capaz de injetar em poucos segundos. “Lust For Life”, canção popularizada pelo filme Trainspotting, está além da vã filosofia deSigmund. Quem ler as colagens do inconsciente de William Burroughs encontrará pistas: o Johnny Yen da letra, o cara que chega “com a bebida e as drogas” e “vai fazer mais um strip-tease”, é um predador sexual venusiano extraído do livro The Ticket That Exploded. 
Quando tira a roupa nas páginas do escritor americano, Yen mostra um pênis que vira clitóris; Iggy mistura ainda mais as já confusas estações de Burroughs invocando outro personagem de outra novela, The Soft Machine, que diz que o amor é “como hipnotizar galinha”...
Melhor seguir a batida que Hunt Sales imprime à faixa, um chamado selvagem africano que ficou estilizado para a posteridade nas gravações de Bo Diddley - e que, desanfetaminado, faz a festa também em “You Can’t Hurry Love”, das Supremes. Depois de vomitar Burroughs, Iggy decreta que está cheio de dormir pelas calçadas e que não vai mais espancar o cérebro com birita e drogas porque tem o tal tesão pela vida. Licença poética pura: naquela época, seu alterego James Osterberg parava em pé à base de cocaína, haxixe, vinho e salsichas alemãs.
Aos trinta anos, Iggy pela primeira vez habitava imóvel alugado em seu nome: um apartamentinho em Berlin, austeramente decorado e sem água quente. A mudança para a Alemanha fôra idéia do amigo David Bowie, que um ano antes o içou das sarjetas de Los Angeles para um cotidiano menos desregrado. Estava funcionando: em junho de 1977, meros três meses após lançar o aclamado The Idiot, a dupla voltava ao estúdio para gravar Lust For Life. Bowie cravaria outras duas maravilhas naquele ano da graça: Low e “Heroes”.
Biógrafos apostam que a relação entre os parceiros nunca foi sexual. Era admiração mútua, com a diferença que Bowie queria ser Iggy; passou até a cantar num registro mais baixo para imitá-lo. Para alguém facilmente perturbável, isso era... muito perturbador. A amizade azedou: se em The Idiot, o afável Jimmy Osterberg abanou o rabo, em Lust For Life, Iggy soltou os cachorros. Mas o disco equilibra como nenhum outro as duas personas do cantor: intelectual sensível e animal sem censura.
Um lambe o chão de bares decadentes, atraído por ninfetas com botas de couro (“Sixteen”), e é compelido pela vida dura a praticar pecados esquisitos (“Some Weird Sin”). Outro passeia celebrando a vida (“The Passenger”) e canta o amor sem cinismo (“Fall In Love With Me”). Entre esses mundos, duas obras-primas que, por concidência, Bowie regravaria em 1984: “Neighborhood Threat”, coronhada brilhante na indiferença social, e “Tonight”, um gospel de arrepiar que o parceiro transformou em reggae safado, cortando a overdose do começo da letra: “Eu vi meu amor/ Ela estava ficando azul/ Eu soube que logo/ Sua vida acabaria/ Então me ajoelhei/ Ao lado da sua cama/ E essas foram as palavras que para ela eu disse/ ‘Tudo vai ficar bem hoje à noite’...”
Letras como essa saíam no improviso, da noite pro dia, dentro do estúdio. Com punch garageiro, mas clareza sonora exemplar, a banda deixou tudo registrado em poucos dias. Os irmãos Hunt (bateria) e Tony Sales (baixo) como força bruta propulsora, dois guitarristas fazendo a diferença. Um deles era Carlos Alomar, fiel escudeiro de Bowie. O outro, herói pouco cantado, era o escocês Ricky Gardiner, um ex-progressivo que achou o riff de “Passenger”. Sua explicação esotérica para o status de clássico do álbum: a lua cheia na semana das gravações.
Elvis Presley morreu em 16 de agosto de 1977; Lust For Life sairia em 7 de setembro de 1977. A gravadora RCA mal perdeu tempo com a obra-prima de Iggy; 96 por cento de sua força produtiva estava fabricando LPs do rei morto. Assim que ouviu o disco pronto, Iggy achou tudo horrível, lento demais, e mergulhou de volta na paranóia cocainômana. Banho frio em Berlim jamais poderia ser uma solução definitiva. E galinhas são facilmente hipnotizáveis.

Pedro Só e jornalista e escreveu essa DB para a um número da Bizz, que não chegou a ser publicado.

Faixas:

  1. Lust for Life
  2. Sixteen
  3. Some Weird Sin
  4. The Passenger
  5. Tonight
  6. Success
  7. Turn Blue
  8. Neighborhood Threat
  9. Fall in Love With Me
Download

Senha: rndecay

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

On The Corner- Miles Davis - 1972



Em 1972, o choque elétrico que Miles Davis tinha dado no Jazz com o duplo Bitches Brew (1970), começava a ser assimilado.  Foi quando  o Prince of Darkness ( apelido que havia recebido, em 1967), leva o jogo a outro patamar, com o hipnótico e denso On The Corner.

Em 72, Davis foi introduzido à música de Stockhausen por um jovem arranjador e violoncelista, e mais tarde ganhador do Grammy: Paul Buckmaster, que influenciaria profundamente as novas gravações . Segundo o biógrafo J.K. Chambers : "O efeito dos estudos de Stockhausen por Davis não poderiam ser contidos por muito tempo. …sua própria 'música espacial', mostrava composicionalmente a influência de Stockhausen”. 

Suas performances ao vivo entre 1970-1972 eram verdadeiros laboratórios sonoros, onde Miles, muito bem acompanhado, inclusive contando com dois músicos brasileiros em sua banda, Airto Moreira e Hermeto Pascoal, criava novas linguagens e levava seus experimentos a extremos, antes impensáveis para o conservador Jazz.

Ao entrar em estúdio em junho de 1972, Miles resolveu experimentar até onde a mistura de Stockhausen e  black music elétrica de Sly and The Family Stone, Funkadellic, Stevie Wonder e Isaac Hayes poderia chegar. Acabou explorando uma sonoridade altamente dançante, negra urbana, feita sob medida para agradar o jovem público afro-americano. 

Chamou um time impecável de músicos, formado por Michael Henderson, Carlos Garnett, o percussionista Mtume, o guitarrista Reggie Lucas, o tocador de tabla Badal Roy, Khalil Balakrishna na cítara, o baterista Al Foster, e o pianista  Herbie Hancock, que também estava trilhando um caminho parecido ao unir o jazz ao funk (que geraria outro marco no fusion, o álbum Head Hunters, lançado em 1973). Após rápidas jams sessions, pariu um de seus melhores trabalhos.

On The Corner, soa como se Exu tocasse trompete em uma  encruzilhada de uma grande metrópole, ou a trilha sonora de uma versão Blackexpoitaiton do filme “2001”. 

O álbum é uma longa jam, que  não se prende a estrutura do jazz tradicional. A seção rítmica fornece um denso tapete polirrítmico sobre o qual os solos de trompete, encharcado de wha wha, e sax, se debruçam formando  camadas  de som, com elementos eletrônicos cheios de efeitos, que são adicionados e subtraídos, em meio a um transe sonoro, forrado por uma percussão afro sci fi. 


Previsivelmente, o disco não foi entendido na época e despertou a ira da crítica de jazz, que já vinha estranhando a fase elétrica de Miles há um bom tempo. On the Corner foi chamado de  "porcaria repetitiva" , "um insulto à inteligência das pessoas" e  foi considerado anti-jazz,  hostilidade resumida nas palavras nada amistosas do saxofonista  Stan Getz- "Essa música é inútil. Não significa nada. Não há nenhuma forma, nem conteúdo. Quase não tem swing”.

Mas o tempo mostrou que Miles estava certo e o disco é apontado como influência no pós punk (convidado pelo produtor Bill Laswell, Davis gravou algumas partes com trompete durante as sessões do disco Album, do  Public Image Ltd, contidas  na compilação Plastic Box). Nas palavras de Lyndon, "foi esquisito, nós não usamos (suas contribuições)." De acordo com Lydon, Davis comparou sua voz com o som de seu trompete).

Mas foi Luis Fernando Veríssimo, em uma de suas crônicas  no livro “Banquete 
com os Deuses” quem melhor sintetiza essa fase da carreira de Miles, usando uma das maiores paixões do músico, o boxe: “Um homem tem direito a fazer quantas revoluções por vida? Há quem diga que a última revolução de Miles Davis acabou em farsa, que o quase careca de túnica colorida fazendo fusão com a rapaziada não era nem uma sombra, era a múmia do antigo Miles reduzido a espasmos de som. Mas também há quem diga que o Miles da última fase era de uma coerência fulgurante, o velho boxeador na ponta dos pés e ainda fazendo história”.

On The Corner foi um direto no queixo. 

Nocaute.

Jefferson "Caverna" Nunes é um comunicador e fã de artes marciais. Nas horas vagas, curte pesquisa sobre música, quadrinhos, filmes e ficção científica. Apesar de ter um milhão de amigos, não leva desaforos para casa. Entre outras façanhas, já deu voadora no peito do Chorão e jogou o celular de um fã de tecnobrega pela janela do busão. ( Definição segundo Helder Maldonado).

Tracklist

01. On The Corner

02. New York Girl

03. Thinkin’ One Thing and Doin Anot

04. Vote For Miles

05. Black Satin

06. One and One

07. Helen Butte

08. Mr Freedom X

DOWNLOAD: RAPIDSHARE


Box: Miles Davis – The Complete On The Corner Sessions 1972-1975

Tracklist
CD1
01. On The Corner (Unedited Master)
02. On The Corner (Take 4)
03. One And One (Unedited Master)
04. Helen Butte/Mr. Freedom X (Unedited Master)
05. Jabali
CD2
01. Ife
02. Chieftain
03. Rated X
04. Turnaround
05. U-Turnaround
CD3
01. Billy Preston
02. The Hen
03. Big Fun/Holly-wuud (Take 2)
04. Big Fun/Holly-wuud (Take 3)
05. Peace
06. Mr. Foster
CD4
01. Calypso Frelimo
02. He Loved Him Madly
CD5
01. Maiysha
02. Mtume
03. Mtume (Take 11)
04. Hip-Skip
05. What They Do
06. Minnie
CD6
01. Red China Blues
02. On The Corner/New York Girl/Thinkin’ Of One Thing And Doin’ Another/Vote For Miles
03. Black Satin
04. One And One
05. Helen Butte/Mr. Freedom X
06. Big Fun
07. Holly-wuud
RAPIDSHARE:
DOWNLOAD: CD1
DOWNLOAD: CD2

DOWNLOAD! CD3
DOWNLOAD: CD4

DOWNLOAD: CD5

DOWNLOAD: CD6






quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Seis Perguntas para o Hansen. Por Jefferson Nunes e Helder Maldonado




Hansenharryebm, Johnny Hansen, ou o grandalhão esquisito que toca guitarra e canta na banda H.A.R.R.Y. Não importa a maneira como você conhece esse guitarrista que foi um dos pioneiros ao misturar a música eletrônica com o rock. O importante é saber um pouco mais sobre o que pensa um dos seres mais contraditórios e polêmicos que já pisaram em um palco no Brasil. Hansen é do tipo que não mede consequências ao emitir opiniões. Por isso, não teme ser declaradamente amante de "chuva dourada", a favor do porte de armas, entre outros comportamentos e temas controversos. Mas a forma como expõe seus ideais não causa ódio gratuito por parte de quem defende opiniões contrárias. 

De forma alguma. Hansen é dono de um carisma especial e, ainda por cima, tem um senso de humor apurado. O que faz com que suas frases de efeito e observações enviesadas sobre temas espinhosos acabem sendo interpretadas de uma maneira pouco conflituosa por parte de quem discorda. Não acredita? Leia a entrevista abaixo e conheça um pouco mais sobre o polêmico Johnny Hansen.


1) Tocaria com algum artista que odeia do fundo do coração, como Hebert Vianna?

Hansen - Não sei de onde tiraram essa idéia de que eu odeio o Herbert, eu não odeio nem baratas, só as mato pq é o certo a fazer. Mas sim, tocaria se a grana compensasse. Hoje me arrependo de não ter equilibrado as coisas e não ter levado uma carreira paralela como instrumentista, acompanhando quem quer que fosse, mas o problema é que guitarra bem tocada e drogas em excesso não são uma boa mistura. Mas sem o meu periodo junkie (1985-1991) eu jamais poderia ter concebido o som do H.A.R.R.Y.

2) O que é mais deprê: ficar sem grana ou ter que trampar em um set de filmes pornô?

Hansen - Eu não sou muito ambicioso, nem materialista. A unica coisa para que eu precisaria de dinheiro é a minha G.A.S. (Gear Aquisition Syndrome) para ter uns equipos mais decentes. Trampar com porno (fui assistente de camera e de produção durante mais de 4 anos) é muito divertido no primeiro ano, depois deixa de ser. O astral é muito negativo: os caras se chapam de viagra e brocham, tesão de verdade é a coisa mais ausente de um set de filmagem.

3) Qual seria o tamanho do Harry, se ele tivesse nascido em outro país?

Hansen - Isso é a mesma coisa que perguntar como a minha tia seria se ela fosse o meu tio, caso tivesse nascido com uma jeba. Sei lá, são várias opções, poderiamos ter sido um sucesso estrondoso, um fracasso mais absoluto do que aqui (pela concorrencia abundante, ao contrário do Brasil, bandas boas são coisa comum na civilização), poderiamos ter morrido todos de OD ou acidente aéreo.

4) O que você tem mais ódio na música nacional: De não poder viver do trampo autoral, ou de uma das únicas opções paralelas para ganhar muita grana ser justamente tocar com sertanejos?

Hansen- O que eu tenho mais ódio na musica nacional é pq ela é ruim, ultrapassada e bairrista. Ninguém acertaria que o A-ha é noruegues ou que o Mercyful Fate é dinamarques só de escutar, a musica deve ter um apelo universal. Aqui rola essa coisa do toque regional, se tivessemos um folclore de verdade como o celta, eu poderia até pensar nisso, mas quero que bumba meu boi, xotes e sei lá mais o que vão se foder. O Álvaro Pereira Jr contou que um dj australiano tocou o Harry no programa dele para exemplificar que o lugar de onde uma banda vem pode não influir absolutamente nada no som que fazem. Achei do caralho isso.


5) Por que trocou os sons sintetizados, pelo som da guitarra elétrica?

Hansen - Eu não troquei, eu estou voltando às origens. Eu sempre fui um guitarrista, o problema é que o conceito original do Harry, que era a mistura do electronico com o rock, foi sendo abandonado, primeiro limando a bateria de verdade e depois reduzindo o papel da guitarra a quase nada (e como eu me drogava muito, não me importei na época). Voltei a pegar firme na guitarra há apenas uns 2 anos, ela chegou a ficar uns 10 sem sair do bag. Deve ser autoafirmação de meia idade, ou até não, afinal shredders são criaturas desprezadas até mesmo entre os guitarristas mais convencionais, e é o nicho onde me encaixo e com orgulho, rsrsrs.

6) Por que você odeia os anos 90 ?

Hansen- Eu não odeio os anos 90, rolaram séries de tv do caralho e quadrinhos bons pra caralho (estes só na 1a metade da década). Musica? Aí complica, montes de banda ruins (e efemeras, quem se importa com Ruby, Senseless Things, Come ou Judybatts hoje em dia?) e as bandas boas dos 80s lançando discos ruins, e o pior, os produtores desaprenderam como gravar de maneira a vc distinguir os instrumentos uns dos outros. A prova é que discos de bandinhas meia boca como Teenage Fan Club ou Screaming Trees (que levariam um pau fácil de qualquer Icicle Works ou Red Lorry Yellow Lorry da vida) são consideradas clássicos. Curioso que uma das minhas bandas favoritas, o Apoptygma Berzerk começou a lançar discos em 93, mas eu sempre preferi considera-los como latecomers dos 80s.

(E se quiserem explicar para vossos leitores, se é que os há, a razão de um "famoso quem?" como eu estar sendo entrevistado, publiquem alguns dos links abaixo, ou todos eles)